É uma das festas mais recorrentes em todos os calendários turísticos. Pouco se sabe sobre sua origem como evento no Brasil a não ser que ela veio com os portugueses no período colonial, quando era efusivamente comemorada. Acredita-se que o costume veio de Portugal, trazido pelos missionários jesuítas e primeiros colonos.

“[...] na Idade Média teria aparecido em Portugal um monge considerado como um santo. Depois de longos anos de retiro no deserto, foi-lhe revelada a vinda próxima de uma nova era de relações entre os homens sobre a Terra: a época do Espírito Santo. A humanidade teria já ultrapassado a época do Pai (o Antigo Testamento) e, ao seu tempo, terminava o seu trânsito por sobre a época do Filho (o Novo Testamento). Estaria para chegar ao mundo a época final, a do Espírito Santo, marcada pelo advento de uma implantação definitiva da paz, do amor da bondade entre todos os homens do mundo.[...] O monge voltou às cidades e procurou difundir a revelação recebida, tida imediatamente como revolucionária pelas autoridades eclesiásticas do seu tempo. Suas idéias proféticas conquistaram inúmeros adeptos, logo perseguidos por uma igreja oficial, ao mesmo tempo medieval e fechada. Segundo a versão, ‘só em Portugal foram queimadas mais de 400 pessoas por sua crença no Espírito Santo‘. Inúmeros adeptos da nova crença migraram para o Brasil, logo depois de sua colonização e, depois da conquista dos espaços mediterrâneos, ocuparam, prioritariamente, antes as terras de Minas Gerais e, depois, os espaços de Goiás e, em menor escala, os de Mato Grosso” (BRANDÃO, 1978, p. 65).A Festa
A festa na Ilha da Santa Catarina é precedida de uma romaria da Bandeira do Divino, com finalidade de recolhimento de esmola, destinada a auxiliar as despesas da festa. Antigamente os irmãos portavam suas opas vermelhas quando acompanhavam o grupo que conduzia a Bandeira e a Coroa.
Os festejos começam após a quaresma com a saída da bandeira do Divino. Trata-se de uma bandeira de pano vermelho, no qual está bordada uma pombinha branca, sustentada por um mastro de dois metros aproximadamente em cuja ponta figura outra pombinha branca, ornada de flores. Da ponta caem fitas coloridas, geralmente doadas como pagamento de promessas.
A Bandeira percorre todas as casas, realizando a coleta dos donativos para grande festa, que pode ser em espécie ou em forma de prendas, galinhas, porcos, etc., que serão usadas no preparo das comidas ou rifadas durante as festividades.
Tradicionalmente a bandeira era acompanhada de um grupo de foliões composto de três ou quatro músicos, cantadores e acompanhantes. A orquestra compreendia rabeca, violão, cavaquinho, tambor surdo e gaita. Com o passar dos anos, poucas são as comunidades que ainda mantêm este costume. Algumas apenas portam a bandeira, outras se deixam acompanhar por um tambor. Entretanto, nas comunidades do Ribeirão da Ilha, Campeche e Santo Antônio de Lisboa, assim como, nos municípios de Governador Celso Ramos, Tijucas, Enseada do Brito e Laguna, ainda se encontram bandeiras em sua expressão mais tradicional. 
As festas do Divino Espírito Santo ocorrem nos meses de maio, junho ou julho. Com uma duração de três dias (sexta, sábado, domingo) a festa é precedida por novenas e tríduos. Na sexta realiza-se o cortejo imperial com missa festiva em honra ao Espírito Santo. Em alguns municípios, o cortejo parte dos “impérios” ainda existentes. Todavia, em sua maioria, parte da casa do festeiro (casal imperador) ou da prefeitura local, como ocorre em Santo Amaro da Imperatriz, onde recebe a “chave da cidade”. Após a missa, realizam-se apresentações folclóricas, folias, bailes e queimas de fogos de artifício. No sábado, acontece a festa propriamente dita, com a coroação da imperatriz e do imperador durante missa solene. A seguir, os imperadores e toda a corte são conduzidos para o local apropriado que represente os antigos “impérios e teatros”, onde recebem as homenagens da população. No domingo se procederá à escolha ou sorteio do casal imperador que coordenará as festividades do ano seguinte. O casal proclamado toma posse na segunda-feira, encerrando-se o “Ciclo do Divino Espírito Santo”. (VOLPATO, [2000?]).Referências
AMARAL, Rita. Festa à brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério". Disponível em: http://www.aguaforte.com/antropologia/festaabrasileira/festa.html
Acesso em: 03 mar. 2010.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. De tão longe eu venho vindo: símbolos, gestos e rituais do ... O Divino, o Santo e a Senhora. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1978.
VOLPATTO, Rosane. Festa do Divino.[2000?]. Disponível em: http://www.rosanevolpatto.trd.br/DIVINO1.html. Acesso em: 03 mar. 2010.



