Foi percebido nos últimos meses devido à destruição ocasionada nas construções da orla. Em março deste ano (2010) Moradores da Praia da Armação já chamavam atenção para o problema e foi só nos últimos episódios o que o assunto tornou-se “interessante”.
Florianópolis decretou situação de emergência devido à erosão marítima somente no dia 17 de maio de 2010, quando num total 74 casas foram atingidas e a faixa de areia, que era de 50 metros, desapareceu. Estão trabalhando em muro de contenção (do que mesmo?) 200 soldados do Exército Brasileiro auxiliando a Prefeitura Municipal de Florianópolis. A medida, segundo especialistas é provisória e paliativa. O Professor do Laboratório de Oceanografia Costeira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jarbas Bonetti diz que “a rigor, a única solução definitiva para o problema seria remover as construções em uma faixa de vários metros a partir da linha do mar. Desta forma, a dinâmica natural do sistema e os estoques de sedimentos seriam mantidos. Parece utópico, mas em alguns locais do mundo, sobretudo na Europa, isso já vem sendo realizado”. Bonetti afirma também que “a praia não é só a areia onde colocamos o guarda-sol. Ela é um sistema que envolve as dunas frontais, a areia da praia e a parte submersa, quando o mar não encontra uma reserva de sedimentos, ele a busca e a altura da praia diminuem. E a água busca nas dunas, onde estão as construções. Em praias preservadas como a de Moçambique, esse movimento é pouco sentido. O problema é sério onde as dunas foram ocupadas", explica Bonetti.
Em 2006, o geólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Norberto Horn, fez um levantamento de áreas de risco de destruição por causa da erosão costeira. Pântano do Sul, Barra da Lagoa, Canasvieiras, Naufragados, Ingleses e Armação são de alto risco. O Plano Diretor, que está em discussão e prestes a ser encaminhado à Câmara de Vereadores, inclui engordamento dos Ingleses. De acordo com Horn, a erosão costeira é natural, mas em alguns locais é ampliada por causa da ação do homem. Com a construção de casas e edifícios muito perto da orla, muitas vezes ocupando até as dunas, a movimentação natural das ondas, que leva e traz areia para dentro e para fora do mar, acaba se tornando um risco.
Foto: Maria Zani Garcia
Ainda em relação à Praia da Armação o oceanógrafo Argeu Vanz, do Centro de Informações de Recursos Ambientais de Santa Catarina (Ciram) afirma que: “algo foi feito diferente naquela praia e causou toda complicação em seu sistema. Uma ponte, uma construção em local indevido, enfim, deve ser analisado como era o local antigamente, isso influencia o transporte de sedimentos marinhos. É preciso estudar o que houve ali, pois, caso contrário, as medidas serão paliativas".
De acordo com Investigações do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanógrafo da USP, o nível do mar na costa brasileira está aumentando 40 centímetros por século, ou 4 milímetros por ano. As variações vêm sendo investigadas desde a década de 80.
As medições feitas pela equipe do professor Afrânio Rubens de Mesquita, pesquisador do Maptolab, na região de Cananéia, e publicadas em 2009, mostram um movimento de afundamento vertical da crosta na ordem de 0,11 cm por ano. Isso faz com que o nível do mar suba em relação à crosta a 0,38 cm por ano. “A variação de 0,38 cm por ano é preocupante e ameaça as praias, talvez, de toda a costa brasileira”, explica o pesquisador.
É necessária a medição anual, durante um período mínimo de dez anos, na chamada Sessão Capricórnio, que é um conjunto de estações oceanográficas ao longo de uma radial oceânica (a partir de Santos até 500 quilômetros [Km] fora da costa), que permite a realização de medições ao longo da profundidade dos oceanos durante os dez anos do programa. “Não há dinheiro para que façamos essas medições todo ano e de forma contínua. Nossos pedidos de recursos junto a órgãos financiadores são constantemente negados, e isso atrasa o andamento e a qualidade das nossas medições e pesquisas sobre as variações do mar”, lamenta o pesquisador.
Fonte: Diário Catarinense, Terra, Agência Notícias USP














